segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

HISTÓRIA DO BREJO DA MADRE DE DEUS- Newton Thaumaturgo -02

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Quando da conclusão dos Volumes (6º ao todo) da História do Brejo da Madre de Deus, solicitei ao brejense autêntico Dr. JOSÉ FALCÃO, Médico e ex-Secretário da Saúde de Pernambuco, residente em Recife, para que o mesmo prefaciasse o livro, isto é um Prefácio só para os seis Volumes, e ele gentilmente aceitou e escreveu o seguinte:


"PREFÁCIO: (1ª parte)


"Eu nasci no município

De José, pai de Jesus

Lá do alto do Cruzeiro,

Ele vela os filhos seus.

Eu nasci numa terra linda,

O Brejo da Madre de Deus!


Sobre essa terra linda, o autor, Newton Thaumaturgo, traz aos brejenses, aos pernambucanos, aos brasileiros enfim, a "História do Brejo da Madre de Deus", tão esperada por quantos sabem de sua riqueza, de sua beleza, de seu pioneirismo, mormente tratar-se da narração histórica de um dos mais antigos municípios do Estado de Pernambuco.


Quís o escritor, após incessantes pesquisas para escrever a sua obra, tanto quantas lutas para publicá-la, que um filho do Brejo fosse o seu prefaciador. Para nós, uma grande e grata responsabilidade que, em última análise, significa uma forma de representar aqueles que, como nós, nasceram nessa querida terra.


Alguém já nos disse, e não nos recordamos quem, que o prefácio de um livro é aquela parte que, em geral, escreve-se no fim, coloca-se no começo e ninguém lê.


Menos por nós e mais pelo autor, pela pesquisa, pelo interesse, pela obra em si, pela descrição de fatos históricos de um município que fez história, cujos momentos de vida, a tantos enternece, gostaríamos que o contrário acontecesse. Seria dizer um pouco de Newton Thaumaturgo e sua obra, na visão de quem, mesmo sem privar de sua maior intimidade, fez jus à sua confiança, ao receber de suas mãos os originais da História do Brejo da Madre de Deus. Na visão de quem sempre se mostrou interessado por tudo que diz respeito à sua terra e que cobrava dos seus filhos ou daqueles que assim se tornaram, pelo amor irrestrito que aprenderam a dedicar ao Brejo, a publicação da história do seu município.


Deixamos o Brejo, numa longínqua manhã de domingo, em abril de 1941.Muitos anos, após, na década de 70, voltamos ao Brejo; desta vez acompanhado de mulher, filhos e familiares. Para que pudessem sentiro que era amar o Brejo, vez que durante anos, ouviram e sentiram eles o calor, o sentimento e o nosso orgulho natural, tanto quanto de outros brejenses que conosco conviveram. No caminho, a demora e a ansiedade eram inquietantes. Havia uma vontade incontida de ver, sentir e avaliar essa terra tão falada. De repente, o Brejo! toda, ou quase toda a cidade à vista, do alto da estrada velha que nos conduzia a ela, passando por Jaracatiá. Próximo à casa do velho Antônio Coêlho, vislumbrava-se a pérola da nossa infância, os recantos da nossa saudade e a imagem do que será eterno. Era a visão completa daquele anfiteatro natural, entre as Serras da Prata, do Ponto e do Estrago. Cenário de imorredouras recordações. De pronto, a visão do nosso nascer, do nosso crescer, da gente, das casas, das ruas, dos amigos, da escola, das igrejas, das festas, de seu chão fértil e de tantas coisas mais.


Tudo isso é o que descreve nesse livro, o Jornalista Newton Thaumaturgo, nascido no Recife e profundo estudioso da história di Brejo da Madre de Deus. Como bem diz ele, amar o Brejo já é ser brejense.


A história municipal tem como ´rgão de máximo incentivo o Centro de Estudos de História Municipal, criado no interior da Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco-FIAM. No professor Luiz Delgado, já falecido, teve um "pioneiro" e defensor constante da História Local", como diz o próprio autor.


José Luiz Delgado, a quem também muito se deve, pelo incentivo e grande trabalho prestado à história municipal, asim se refee em artigo sobre o assunto: "De há muito Pernambuco se destaca no cenário nacional por reunir um contigente extremamente significativo, pela qualidade, quantidade, de memorialistas, cronistas e historiadores dedicados à memória do pequeno universo local em que nasceram - outro traço de pioneirismo pernambucano em matéria de culto do passado." Como bem descrevia ele, podemos dizer que Newton Thaumaturgo faz parte dos "pesquisadores que já trabalhavam por conta própria e por próprio amor". Não é iniciante e se propóe a escrever a crônica do Brejo, levantando todo o seu passado, numa incessante e paciente busca de muitos anos.Após a detida e prazeirosa leitura dos originais desse livro, não temos dúvida que o autor é realmente um pesquisador de história, não deixando influenciar pelas asas da fantasia que, se predominantemente forte, o conduziria ao perigoso terreno do romantismo histórico.


De certa feita. conversávamos com Luiz Wilson, médico,memorialista notável e poeta, sobre a História do Brejo da Madre de Deus, já em andamento e que ora apresentamos. Ele nos dizia então: "quero ver essa história do Brejo, que tem ser bem escrita, pois é de imensa riqueza e que a muitos interessa". O Brejo, dizia ele, "é uma espécie de mãe.!" Tantos municípios já tiveram a sua história contada. O Brejo não poderia ficar a reboque por tanto tempo. Os seus filhos, sobretudo, tanto quanto os demais pernambucanos, aguardam a publicação das memórias dessa tradicional e antiga comuna municipal.Parte dessas memórias, foram por nós vividas na infância, às quais damos o nosso testemunho. As famílias Falcão, Queiroz, Cordeiro, Muniz, das mais diretamente descendemos, se entrelaçam com as famílias Marinho. Maciel, Campos, Araújo, Batista, Amorim, Tavares, Magalhães, todas intresecamente ligadas à história do município. O Brejo é pois, uma grande família.


A curiosidade, diz Newton Thaumaturgo, foi a origem deste pequeno livro sobre a História do Brejo da Madre de Deus. A curiosidade do jornalista, que o levou à pesquisa histórica e a modéstia do homem, que o levou a escrever "um pequeno livro". Um pequeno livro sobre uma grande terra. Uma grande coragem de um homem simples. A partida foi alimentada pelo amor ao Brejo, incentivada pelo amigo Cônego Duarte Cavalcanti, pároco de então, que lhe fez dispor do quase bicentenário arquivo paroquial. A "Enciclopédia Nacional dos Municípios Brasileiros" e as estórias do bôca a bôca, o arranque inicial. No mais, os documentos imprescindíveis e as mais diversas fontes, a serem diligente e pacientemente consultadas, por quem se dedica a uma tarefa dessa natureza. A expectativa de quem espera o contar dos fatos que aconteceram nesse mais de duzentos anos do Brejo da Madre de Deus, é representada simbolicamente no palpitar do coração daquele que nós chamamos o patriarca do Brejo, Alípio Magalhães da Silva Porto, o Sinhôzinho; 96 anos de vida exemplar, de amor e dedicação ao Brejo. Na sua lucidez quase centenária, a ânsia inquietante de quem tanto participou dessa história e de quem tanto se interessou por ela. Muitas informações foram por ele transmitidas ao Newton Thaumaturgo.


Nas pesquisas iniciais, fala-nos o autor de uma polêmica sobre a data e local da fundação do Brejo da Madre de Deus, entre Mário Melo e José Queiroz, Jornalista e ex-Prefeito do Município. É de todos conhecida a existência de tribos diversas em localidades próximas à cidade do Brejo.


(2ª parte do Prefácio em nova postagem a seguir).


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